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Antes de tudo, Persépolis é uma obra autobiográfica. Marjane Satrapi conta sua história desde seus dez anos, quando acontece a Revolução Islâmica, até sua saída da faculdade, dando ainda um pequeno histórico da história do Irã.
Ao contrário do que muitos pensam (e eu era uma dessas pessoas), Isso não torna a história chata.
Imagine um país em guerra constante, uma revolução que deveria ser a salvação da nação, mas revelou uma ditadura ainda mais opressora e uma garotinha que fala tudo o que lhe vem à cabeça. Esses ingredientes e tantos outros tornam a história imperdível do começo ao fim.
Mas ainda não é isso, na opinião desse que vos escreve, o que torna esta obra tão especial.
Persépolis consegue desmitificar muitos pontos da cultura iraniana. Em outras palavras, ela quebra preconceitos.
Ao contrário do que vemos (e vimos) na TV, os iranianos não são fanáticos religiosos. Há muitos que se opõem ao regime abertamente. Outros fingem aceitar todas as proibições, mas vivem uma vida secreta entre quatro paredes. Eles também fazem festas, gostam de rock, são rebeldes, enfim, não são seres de outro mundo.
A repressão e o falso moralismo estão em toda parte. Para nós que vivemos em um país em que não há guerras (graças a Deus) é difícil imaginar o sofrimento de um povo que vive em constante martírio, sabendo que a qualquer momento uma bomba pode cair em suas cabeças.
Fugir do país apenas transforma a forma de repressão. Ser estrangeiro em qualquer nação já é complicado por si só. O preconceito ainda existe. Médicos, engenheiros, advogados iranianos que fogem para os Estados Unidos, por exemplo, em sua maioria viram taxistas, assim como os latinos lavam pratos para sobreviver nas terras do Tio Sam.
Enfim, Persépolis nos mostra o Irã como ele é. Vale a pena a leitura.
criado por alexandre1736
11:37:17